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| Yemoja |
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| "Yemoja, senhora de todas as águas Diante da casa da senhora dos barcos brota a prosperidade No quintal da senhora dos barcos brotam pérolas Yemoja de seios fartos, somos os filhos das águas..." Olodumare vivia só no Infinito, cercado apenas de fogo, chamas e vapores, onde quase nem podia caminhar. Cansado desse seu universo tenebroso, cansado de não ter com quem falar, cansado de não ter com quem brigar, decidiu por fim àquela situação. Libertou as suas forças e a violência delas fez jorrar uma tormenta de águas. As águas debateram-se com rochas que nasciam e abriram no chão profundas e grandes cavidades. A água encheu as fendas ocas, fazendo-se os mares e oceanos, em cujas profundezas Olocum foi habitar. Do que sobrou da inundação se fez a terra. Na superfície do mar, junto à terra, ali tomou seu reino Iemanjá, com suas algas e estrelas-do-mar, peixes, corais, conchas, madrepérolas. Ali nasceu Iemanjá em prata e azul, coroada pelo arco-íris Oxumarê. Olodumare e Iemanjá, a mãe dos orixás, dominaram uma parte do fogo no fundo da Terra e o entregaram ao poder de Aganju, o mestre dos vulcões, por onde ainda respira o fogo aprisionado. A outra porção do fogo eles apagaram e suas cinzas se espalharam pela Terra pelas mãos de Orixá-Okô, fertilizando os campos, propiciando o nascimento das ervas, frutos, árvores, bosques, florestas, que então foram cuidadas por Ossaim, que descobriu o poder curativo de todas as folhas. Nos lugares onde as cinzas foram escassas, nasceram os pântanos e nos pântanos, a peste, dada pela mãe dos orixás ao filho Omulu. Iemanjá encantou-se com a Terra e a enfeitou com rios, cascatas e lagoas. Assim surgiu Oxum, dona das águas doces. Quando tudo estava feito, cada natureza na posse de um dos filhos de Iemanjá, Obatalá, respondendo diretamente às ordens de Olorum, criou o ser humano. E o ser humano povoou a Terra. Fonte: Prof. Reginaldo Prandi - Professor de Sociologia da USP. Yemoja Yemoja, deusa das águas rasas do mar, filha de Olokun, a deusa do oceano e de Oduduwa, o deus terra, é conhecida como a mãe das mamas chorosas, porque de seus seios rompidos nasceram todos rios e riachos, todos cursos d'água, pequenos e grandes sobre a face da terra. Seu nome é Yeye Omo Eja, a mãe que tem filhos peixes. Ela é o Òrìsà do rio Ogún, na Nigéria, e também é o grande delta, o ponto de encontro do rio com o mar. é nessas águas revoltas, doces e salgadas, que vive Yemoja. É a junção do rio e do mar, o Òrìsà das águas rasas do mar. É também a protetora das famílias, aquela que mantém juntos os casais e seus filhos, e faz com que vivam em paz. Suas estátuas enfatizam o aspecto da maternidade. Ela é uma mulher tranqüila, com grande ventre túrgido, seios imensos, pés bem plantados no chão, pondo as mãos sobre crianças. Esposa do rei Okere, de Saki, uma província perto de Abeokutá, fez com ele um pacto. Ele nunca falaria que ela tinha seios imensos, porque havia amamentado muitos filhos, e ela não reclamaria do seu hábito de abusar do emu, vinho de palma. Tendo o rei Okere uma noite comemorado mais do que devia, ao chegar em casa não viu que ela dormia perto da porta, e tropeçou em seu corpo. Yemoja acordou assustada, e começou a recriminá-lo. O rei Okere ficou muito bravo. Atordoado, ofendeu-a, rindo de seus seios enormes, compridos e trêmulos. Yemoja tinha consigo uma cabaça muito antiga ganha de sua mãe Olokun por ocasião de seu primeiro casamento com o rei Olofin de Ife, também conhecido como o filho de Oduduwa, com o qual tivera dez filhos. Desesperada ao ouvir falar de seus seios, agarrou a cabaça, e correu para fora de casa, pretendendo fugir de seu marido. Tendo tropeçado, a cabaça caiu no chão e se rompeu. Formou-se um rio, que começou a correr para o mar. E o rio correndo sempre, levava Yemoja em suas águas, para os braços de sua mãe Olokun. O rei Okere, vendo o rio levar sua esposa para longe dele, procurou um Bàbáláwo, consultou o Ifa e fez um grande ebo. O rio parou de correr para o mar, e começou a levar Yemoja de volta a Saki. Ela gritou por Sàngó, seu filho mais poderoso, e um raio caiu, fendendo uma grande montanha, que bloqueou o caminho do rio. Olokun chamava sua filha para o oceano, usando toda sua magia. o rei Okere fez muitos ebo para que sua mulher voltasse para ele. E o rio ia e vinha, para o mar e para a terra, com Yemoja em seu bojo. Em certo ponto, quando o rio e mar se encontraram, as forças mágicas de Okere e Olokun se igualaram, e Yemoja ali ficou. Seus templos mais importantes se localizam na região de Ibara, um bairro de Abeokuta. Em seus festejos anuais, a água é retirada do rio Ogun em potes sagrados, numa grande procissão de fiéis que enchem as ruas da cidade, com cânticos e tambores. E os Ase de Yemoja são lavados por seus devotos em um solene ritual religioso, acompanhado de sacrifícios de animais, cuja carne, depois de cozida, é compartilhada com todo o público, bem como os alimentos dados em oferenda. Gosta de frutas doces, de pequenas sementes miúdas, como um ovário fecundo, ou um útero cheio de filhotes. COME TODOS OS PEIXES E FRUTOS DO MAR, AS ALGAS, OVAS DE PEIXE, SÓ NÃO APRECIA SIRI E CARANGUEJO. NÃO GOSTA DE COMIDA SALGADA, MAS SEU EBO TEM QUE SER MUITO APIMENTADO. COME ARROZ, IYAN [MASSA DE INHAME PILADO], MILHO BRANCO, FEIJÃO BRANCO, DOCES À BASE DE COCO, EKO OU ÀKÀSÀ (MINGAU DE FARINHA DE MILHO BRANCO), MELADO DE CANA, LEITE, FEIJÃO FRADINHO E OVO. GOSTA DE CERVEJA DE MILHO (SEKETÉ) E DETESTA EMU. SUAS COMIDAS SÃO BEM TEMPERADAS COM DENDE [ÓLEO DE PALMA], TOMATE, PIMENTA, CEBOLA. TUDO SEMPRE ACOMPANHADO DE ÁGUA FRESCA. RECEBE OBÌ [KOLA ACUMINATA] A CADA CINCO OU SETE DIAS, DEPENDENDO DE SEU DEVOTO UTILIZAR A SEMANA YORÙBÁ DE QUATRO DIAS, OU A SEMANA OCIDENTAL DE SETE DIAS. Seus animais prediletos são a ovelha, a cabra, a tartaruga, galinhas ovadas, patas, igbin [aruá - caramujo de terra firme], e galinhas de angola. Recebe suas oferendas no rio, sempre preferindo a parte mais funda do rio, chamada Ominibu ou Ibuodo. Gosta de ser louvada no mar raso, ou de vir buscar seu ebo na areia, com a maré. "Quando Yemoja veio do orun [mundo ancestral] para o aiye [planeta terra], ao chegar descobriu que cada òrìsà já tinha seu domínio na terra dos homens, e nada havia sobrado para ela. Queixou-se a olodumare [deus criador], que disse a ela ser seu dever cuidar da casa de seu marido Obatala [rei das roupas brancas], de sua comida, de sua roupa, de seus filhos. Yemoja se revoltou. Ela não tinha vindo do Orun para o Aiye para ser dona de casa e doméstica. E tanto falou, tanto reclamou, que Obatala foi ficando perturbado, até que finalmente enlouqueceu. Ao ver seu marido neste estado, Yemoja pensou na atitude que Olodumare iria ter com ela quando chegasse do Orun. E procurou os melhores frutos, o óleo mais claro e encorpado, o peixe mais fresco, o iyan mais bem pilado, um arroz bem branco, os maiores pombos brancos, o obì mais novo, o melhor atare, ekuru acabado de cozinhar, ori muito bom, os igbin mais claros, orógbó macio, água muito fria, e com isso tratou a cabeça de Obatala. Ele foi melhorando com os ebos, e um dia ficou completamente curado. Olodumare chegou do Orun e foi visitar Obatala. Falou à Yemoja que havia visto tudo o que acontecera, e deu-lhe os parabéns por ter curado tão bem a cabeça de seu marido. Dali para frente, Yemoja iria ajudar os homens que fizessem más escolhas de ori [destino, força vital], a melhorar suas cabeças, com uma oferenda determinada pelo oráculo Ifá, através de Orunmilá [deus do destino dos homens].” É por isso que no ritual de bori [bo ori - louvar a cabeça], Yemoja sempre é saudada com a cantiga; Ori ori ire, yemoja ori orire, Yemoja. Cabeça cabeça boa, Yemoja coloca boa sorte na cabeça, Yemoja." Ori ire é cabeça boa. Orire é boa sorte. Quem tem boa cabeça tem boa sorte. Seus filhos são pessoas de personalidade firme, justas, dominadoras, ciumentas, solidárias, que gostam de trabalhar, educar e ensinar. Durante os meses de fevereiro e dezembro grandes festividades em sua homenagem são realizadas em inúmeras praias do Brasil. Em São Paulo suas comemorações são em dezembro. Estas festas reúnem devotos de toda parte do país, que vem cantar, brincar e dançar para ela. muitos presentes de flores, comidas, frutas, bebidas, perfumes, sabonetes, jóias, fotografias, cartas com pedidos, enchem pequenos e grandes barcos, que são empurrados mar adentro, para que Yemoja venha recebê-los nas ondas e, tomando o corpo de um de seus filhos, dance entre seus devotos. Também no dia 31 de dezembro, cada vez mais o hábito de terminar o ano vestindo roupa branca, dando flores e presentes para Iemanjá, cantando e dançando à beira mar, consolida-se entre umbandistas e candomblecistas. e por toda a orla marítima, ao romper o ano novo, milhares de brasileiros molham os pés no mar, depositam suas flores, e ouvem os tambores, num eco da mãe áfrica, louvarem Yemoja. Fonte: Ìyálòrisá Sandra Medeiros Epega |
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