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A Sociedade Secreta dos Homens Leopardo na diáspora cubana, os Abakuá:
O nome Abakuá (a velha morte que chega) pertence à Sociedade Secreta dos Homens Leopardo(Os ñañigos cubanos). Este é ainda um nome genérico que se dá a um conjunto de grupos independentes conhecidos por " juegos" ou " potencias ", encontrados nas cidades de Havana, Matansas e Cardenas. Cada " juego" ou " potencia" é integrada por pelo menos por 12 pessoas, podendo alcançar números muito maiores. Entre os membros existe uma rigorosa hierarquia administrativo-ritual, formada basicamente pelos seguintes cargos(plasas):
Indiobones
- Chefes Supremos
Issue -
Sacerdote da Cerimonia de Iniciação
Mokongo
- Chefe Militar do Jogo ( Administra a Justiça )
Isumekue
- Sacerdote Auxiliar
Foram os escravos africanos, que levaram para a Ilha suas tradições religiosas, e estas, foram passadas para seus descendentes ao longo da história. Como no Brasil, há em Cuba cultos de origem africana.
Os Abakuá, "Homens Leopardo", comuns nas áreas portuárias de Cuba e cuja origem, de acordo com a bibliografia, remonta à religião dos Ibós e outros grupos do delta do Níger, na Nigéria. Diz-se que a primeira sociedade Abakuá Cubana, foi fundada em 1836, por negros escravizados. Atualmente, mais precisamente na cidade costeira de Matanzas, é que
encontraremos uma expressiva representação desta sociedade secreta patriarcal muito respeitada, estes homens zelam pelos fundamentos dos Iyambá, ser um abakuá é sinônimo de ser homem de respeito.

O Ireme é a representação dos espíritos do Mundo, cada um possui um traje especifico, a utilização desta roupa é bastante perigosa pois
acredita-se que qualquer falha ritual pode provocar a morte de quem a utilizar.
Com relação aos ñañigos(Abakuá), uma
sociedade secreta difundida pelos negros CARABALÍ, é uma associação
que tem alguns princípios para se pertencer a ela: ser homem, filho fiel
e bom amigo. Para eles o conceito de homem é fundamental, sabem o que
permitem e o que não devem permitir para ser e para se considerarem
homens. Mostram um rigor estrito nas relações sexuais com a mulher. Têm
vários critérios sobre como devem ser e se comportar socialmente. Ser
bom filho, porque a mãe é fundamental, respeitada e venerada com
carinho. A fidelidade ao amigo é não denunciá-lo jamais. Quanto ao
aspirante, o "NDÍSEME",deve ter a certeza de que cumpre os
requerimentos para com a associação, isto feito, formaliza sua decisão
e apresenta-se ante a «potência»à qual quer pertencer. A partir daí
começa a investigação... Quando a investigação é concluída, e
termina o período de observação, que demora um ano, habilita-se o
iniciado para fazê-lo Abakuá em uma cerimônia, que em parte é pública,
e outra secreta. Nesta cerimônia, qualquer pessoa pode questionar sua
entrada, incluindo os pais, que podem se opor. O pior que pode acontecer
ao aspirante é que alguém diga que ele não tem atitudes nem condições
necessárias. Isto será suficiente para que não se inicie, provocando
perseguições e agressões físicas entre ambos os indivíduos e o
padrinho do aspirante, que ninguém delata, pois sabem que isto é
condenado.
É como Abakuá ou (Ñáñigo) se conhece popularmente em Cuba o membro da
sociedade secreta masculina Abakuá, a única do seu tipo existente no
continente americano. Várias ortografias são usadas para o nome. É a
fraternidade de iniciação dos homens afro-cubanos, ou sociedade secreta
que originou de associações fraternais no Cross River região de do
sudeste da Nigéria e do sudoeste Camarões. Geralmente conhecido como
Ekpe, Ngbe, ou Ugbe entre os grupos multilíngües na região, esse grupo
adotou o leopardo como um símbolo de coragem masculina em guerra e
autoridade política nas várias comunidades deles. Foram levadas Ekpe e
organizações relacionadas na região de Calabar pesadamente durante tráfico
de escravos que saia da Angra de Biafra, entretanto os nativos do local no
final eram capturados e vendidos como escravos dentro de Cuba, onde a
sociedade re-emergiu. O termo Ñañigo também foi usado para os
integrantes desta Sociedade.
- Um pouco mais sobre o assunto:
Em países, como o Haiti, Jamaica ou Cuba, os Cultos de origem africana se
misturaram com a Cultura pré-colombiana existente, bem como a antigas
convicções locais. A implantação destes Cultos, incluindo-se ai o
Abakuá, deu-se através da vinda de escravos no início de 1501. As crenças
e convicções Ancestrais, como as do Culto do Homem-leopardo (Abakuá),
que arrasaram as plantações africanas no princípio e meio do século,
acabou por ser exportadas com o advento da escravidão e com o subseqüente
envio de escravos como mão de obra para Haiti, Jamaica e Cuba, porém
onde aportou, acabou por ser mesclada com os usos e costumes locais.
Este mesmo Culto do Homem-leopardo, nascido na região de Carabalí foi
exportado para Cuba e Jamaica pelos escravos Ñáñigos que eram
amontoados nos infames navios negreiros, junto com fazendeiros Lucumís,
camponeses Yorùbás, guerreiros mandinga, e caçadores congoleses. Mas de
todos os escravos vendidos no Mundo Mundo, os Ñáñigos eram os mais
guerreiros. Foram os primeiros “Cimarrons, isto é, negros que se
rebelaram contra seus proprietários, matando-os e se libertando das
plantações em que eram escravizados para viver escondidos nas
montanhas”.
De todas as Religiões sincréticas que existem em Cuba, como a Santería
/ Regla de Ocha, o Palo Mayombe / Regla Conga, etc, os Cultuadores Abakuá
ou Náñigos era aqueles que tinham o Culto mais respeitado.

Um Ofício do Governador-geral de Cuba,
editado em 1876 pelo então Chefe de Polícia, o Sr. Manuel Asensio, foi
declarado que: - "O Ñáñigo quando se apresenta no lugar de sua
iniciação, jura vendado beber o sangue de quem não seja seu irmão,
sempre que for ordenado por seu superior, e para provar seu valor nesse
dia, eles devem cumprir duas duras tarefas. Apesar do aparente absurdo
desta declaração, alega-se que existem indicações sérias que isto foi
praticado por eles tanto em Cuba quanto Jamaica.
Pelos meados do século de XIX, devido ao medo que os Abakuá
antiescravistas despertaram no Governo Espanhol de Cuba, seu Culto foi
proscrito, esta proibição veio através das Leis de 14 de novembro de
1842, de 2 de agosto de 1872, e da de 8 de janeiro de 1877, porém mesmo
assim, a irmandade, tornou-se mais secreta do que nunca, e continuou
existindo no segredo. Embora centenas de Ñáñigos, fossem presos e
processados, tivessem seus Templos profanados pela Polícia, e mesmo tendo
seus objetos rituais confiscados, o Culto Abakuá continuou a sobreviver,
só que a partir destes fatos tornaram-se ainda mais fechados.
O estranho dialeto Carabali que eles utilizam não permite que ninguém os
compreenda, é um dialeto que pouco tem que ver o Yorùbá Tradicional
usado nas outras religiões Afro-cubanas; possui um código de grafismos
mais estranho, bem como, assinaturas e sinais com que os Templos, Rituais
ou nomes de determinados Espíritos seja similar aos "Ve-ves"
Voodoo, e interessante frisar que o "Grande Segredo do Ekwé",
os tambores sagrados com que eles se comunicam com o Divino Abasí, não
deverem ser profanados pelos não iniciados. Um informante, ao visitar os
Templos Abakuá, chamados de "Potencias" ou "Plantes"
em Cuba, de Gamaroro Efó, em Guanabacoa, e Uriabón Efí, em Matanzas,
observou que eles já não praticam os antigos hábitos, embora eles ainda
executem duras provas durante as iniciações dos neófitos. Finalmente,
podemos assim concluir que este Culto foi se adaptando aos novos costumes
sociais, más se mantém hermético.
( * ). Texto adaptado do Espanhol por Màrìwò >|<
- O Reconhecimento da Sociedade Abakuá
Em 21de Janeiro de 2007 a Sociedade Abakuá cubana foi legalmente
reconhecida:
La Habana, Cuba - A Sociedade Secreta Abakuá de Cuba, fraternal,
religiosa, cultural e mutualista, criada em 1836 e, então, integrada por
escravos africanos com o propósito de enfrentar os abusos dos
escravagistas, teve que esperar 170 anos para que fosse reconhecida
legalmente, apesar de seus inquestionáveis aportes à integração racial
e cultural da nação cubana.
Instituído pela coroa espanhola o Registro de Associações de Cuba, o
Ministério de Justiça admitiu agora os Abakuá. Por razões óbvias, as
autoridades coloniais nunca outorgaram legalidade a essa sociedade
secreta, ainda que não pudessem ignorar sua existência, e muito menos
acabar com seus ritos, nem afastar os membros da sociedade.
Os Abakuá podem, enfim, realizar suas reuniões e celebrações dentro do
marco legal, diferentemente das associações e partidos políticos pró-direitos
humanos existentes no país, aos quais o governo não reconhece e
considera como organizações à margem da lei.
A aceitação da Sociedade Abakuá forma parte da estratégia oficial de
mostrar ao mundo uma imagem de tolerância, assim como permitiu aos
religiosos a entrada no Partido Comunista, e a celebração do Natal, a
pedido do Papa João Paulo II.
Como afirma o etnólogo cubano Ramón Torres: "A cultura Abakuá,
suas figuras e suas vozes, assim como sua atividade em geral,
desempenharam um papel significativo na nossa identidade. Não é possível
uma análise séria nem completa do cubano se é desconhecida a contribuição
dos ñañigos".
"A sociedade secreta dos Abakuá -escreveu Lidia Cabrera- foi um
transplante das que existiam na Nigéria do Sul, em Calabar. Na terceira década
do século passado no pequeno povoado marítimo de Regla, no porto de La
Havana, foi fundada a primeira confraria desse tipo, auspiciada pelo
cabildo (administradores) de Apapa Efí (da tribo de Efik e apadrinhada
pelos Ekoi).
Fonte: cubanet.com
( * ). ( Os olhos do leopardo são de fogo! O rabo do leopardo nunca dorme. Más suas garras são poderosas, e as esconde. ) - Provérbio Abakuá
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